Não Furtarás – O Oitavo Mandamento

Texto Base: Não furtarás (Êx. 20.15)

Henrique de Souza Ribeiro

5/22/20244 min read

Texto Base: Não furtarás (Êx. 20.15).

O Brasil não é um país modelo de honestidade. Diversas investigações comprovam desvios de dinheiro público praticados por políticos ou por pessoas indicadas por estes. O último Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), elaborado pela ONU, e divulgado em março/17, colocou o Brasil como o 10° país mais desigual do mundo; o levantamento usa como referência o Índice Gini – uma forma de calcular a disparidade de renda. O relatório da Oxfam, divulgado em janeiro/18, mostrou que os cinco homens mais ricos do Brasil possuem riqueza equivalente à metade da população mais pobre do país; isso significa dizer que esses cinco homens têm juntos a mesma quantia do que cerca de 100 milhões de brasileiros. Sem entrar no mérito de avaliar se esses cinco homens adquiriram as suas riquezas de forma lícita ou ilícita, o fato é que esses cerca de 100 milhões de brasileiros, certamente, são prejudicados diretamente pelos desvios de recursos públicos de diversas áreas como saúde, educação, segurança pública, assistência social, infraestrutura e desenvolvimento urbano, dentre outras, praticados por políticos corruptos. Dinheiro público sendo furtado do público.

Milhões são desviados e milhões são gastos nas investigações. Parece um cachorro querendo morder o próprio rabo. Um círculo infinito que não tem fim (aqui, utilizando uma figura de linguagem, o pleonasmo, para conferir maior vigor), e o dinheiro que deveria chegar para o povo acaba ficando cada vez mais distante deste. Como diz Gabriel O Pensador na letra da música “Chega!”: “quem trabalha honestamente tá sempre sendo roubado... me respeita! Eu sou o dono desse lugar. Chega!”. Infelizmente, a nação governada por aqueles que não temem ao SENHOR, padece.

O que o oitavo mandamento do SENHOR, “não furtarás”, quer dizer? Onde deve ser aplicado? Muitas vezes há uma compreensão globalizada desse mandamento e acredita-se que o mesmo se aplica somente aos grandes escândalos ou apenas no cumprimento ao pé da letra de não furtar. Contudo, é muito mais do que isso. Uma análise mais profunda do oitavo mandamento nos mostra que o temos descumprido nos pequenos detalhes. A culpa não é somente do poder que corrompe. Chegar ao poder e se corromper é apenas a confirmação pública de uma vida de descumprimento dos mandamentos de Deus.

No livro de Êxodo 22.1-7, há uma colocação bem severa com respeito à propriedade privada. No lugar onde a lei é branda, a sensação é de que o crime compensa. Por isso, no Antigo Testamento a lei é pesada. Isso é necessário para educar. Não podemos nos apropriar daquilo que não nos pertence. Nesse texto, o ladrão furtou o que custou meses de trabalho para outrem.

O oitavo mandamento também aponta para uma falta de satisfação em Deus. Devemos avaliar o nosso contentamento. O salmista diz: “O SENHOR é o meu pastor e nada me faltará” (Sl. 23.1). Como declarar, assim como o rei Davi, a nossa confiança em Deus de que Ele é o nosso pastor e de que nada nos faltará se vivemos uma vida ingrata, de inveja, buscando tirar vantagem nos negócios de maneira ilícita?! O oitavo mandamento, portanto, nos persuade a vivermos em pleno contentamento em Deus por tudo aquilo que Ele tem nos dado.

Com base no Catecismo Maior de Westminster (P.141), o oitavo mandamento tem como, não se limitando a apenas estes, os seguintes deveres:

  • Ter um meio de vida lícito e diligente: 1 Co.7.20; Ef.4.28; Pv.10.4 e Pv.12.27; Infelizmente, a ideia que temos é que todo cidadão rico é ladrão, corrupto, que se enriqueceu de maneira ilícita ou se apropriando do que não é seu, mas nem sempre é assim. O rei Salomão afirma em Pv.10.4 que a mão do diligente enriquece;

  • Evitar a frugalidade, ou seja, o desperdício: Pv. 21.20 e Jo.6.12;

  • Evitar demandas forenses desnecessárias: 1 Co. 6.1;

  • Evitar fianças ou outros compromissos semelhantes: Pv.11.15;

Os pecados proibidos no oitavo mandamento, não se limitando a estes, são:

  • Usura: Sl. 15.3;

  • Acumulação de produtos para encarecer o preço: Pv.11.26;

  • Cobiça: Lc.12.15;

  • Utilizar modos injustos ou pecaminosos para enriquecer: Pv.21.6;

  • Ociosidade: 2 Ts.3.10;

  • Esbanjamento, o jogo dissipador e todos os outros modos pelos quais indevidamente prejudicamos o nosso estado exterior: Pv.21.17 e Pv.23.20-21;

O ditado achado não é roubado está correto? Se você achou o que é seu, então não é roubado. Se você achou o que não é seu e se apossou, então é roubado. Não tome posse daquilo que não é seu; entregue a alguma autoridade competente para resolver. E ladrão que rouba ladrão? Esse é ladrão também e não tem sete anos de perdão.

Esse pequeno versículo de Êxodo 20.15 traz um belo papo entre pais e filhos. Honestidade, integridade, satisfação e contentamento devem ser demonstrados como exemplo dos pais para os filhos.

Todos os mandamentos de Êxodo 20 devem estar conectados com o segundo versículo: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”. Devemos responder com gratidão cada mandamento, pois o Senhor é o nosso Deus, aquele que cuida de nós, que nos sustenta e nada deixa nos faltar. Devemos ser gratos a Ele por aquilo que Ele tem nos dado e confiado a nós. A luz de Jesus Cristo brilha em nós quando cumprimos os mandamentos. A santidade de Deus brilha em nós quando nos esforçamos em cumprir os mandamentos.